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2024 > 2025 > dois mil e vinte e seis

  • Foto do escritor: Filipa Morais
    Filipa Morais
  • 1 de jan.
  • 3 min de leitura

Nem só de textos complexos e difíceis de entender este blog é feito.

Hoje trago-vos um desabafo, uma explicação.

Nem vos conto a coragem que tive que ter para escrever este texto. É tão pessoal e tão duro para mim. É como colocar as minhas dores fora do peito, pousá-las à minha frente, olhar para elas… e renascer depois disso.

2025 foi um ano com um papel importante para mim, depois do rasto deixado por 2024, um rasto pesado, silencioso, que ainda hoje me tira toda e qualquer possibilidade de sorrir com leveza.

No fundo, 2024 foi um ano de perda, 2025 foi um ano de luto e reflexão e 2026 vai ser um ano de renascimento para mim.

2024 foi o ano mais marcante da minha vida, por ter perdido 3 avós (em 6 meses). Perdas que ainda hoje me roubam a alegria de viver momentos que eu antes adorava, como o Natal e o Ano Novo. Esforcei-me para que este ano pudesse ser o mais normal possível, mesmo com as suas ausências, mas parece que o significado destes dias foi levado com eles no dia em que os perdi.

Montei a árvore de Natal e decorei a casa a rigor, porque a minha avó Adelaide e o meu avô Raul faziam questão de a montar todos os anos. Tinham uma árvore enorme, que decoravam com luzes coloridas que davam música, com fitas e com todos os enfeites que se possa imaginar. A casa ficava cheia de cor, de som, de vida. Fui tão feliz com eles.

Passei a meia-noite da virada do ano a ver fogo de artifício desde a varanda da casa dos meus pais, mas dei por mim a pensar como é que eles se estariam a sentir com todo aquele barulho. Cá em baixo, adoravam ver fogo de artifício. Mas lá em cima, será igual ou sentem o chão a tremer?

Os lugares vazios na mesa não me deixam ignorar o que sinto. Doem-me cada vez que falo ou penso neles e a verdade é que eles estão, praticamente, sempre nos meus pensamentos. Alguma vez isto passará?

2025 foi o primeiro ano que tive que viver inteiro sem a presença física deles em nenhuma ocasião. Foi um ano severo de luto e de muitos momentos de introspeção, onde mergulhei tão fundo em mim como nunca antes fiz. Vindo de um histórico de quadro depressivo e burnout, sei reconhecer todos os sinais que o meu corpo me dá. E por mais que ninguém possa ver isso, foi necessária muita força para não me deixar levar novamente.

Perto do fim do ano, decidi cumprir uma promessa que fiz, especificamente, ao meu avô Raul e que não cheguei a concretizar: gravar-lhe um CD.

Tive uma semana intensiva, apenas a compor, a criar e a escrever. Durante essa semana, isso foi o meu combustível. Não saí de casa. Fiquei horas e horas sentada no sofá, a experimentar coisas novas, a escrever letras e a reescrever, para que no fim soassem bem e, ao mesmo tempo, me permitissem resolver partes do meu passado que ainda estavam por resolver. E assim compus 5 músicas e tenho o meu primeiro EP pronto a gravar. Mas há tanto sofrimento naquelas letras que nunca nenhum de vós vai conseguir entender.

Conversas importantes surgiram nessa altura que me fizeram repensar a minha vida de uma forma global. E aí eu percebi que, (quase) desde sempre, me anulei para servir e cuidar dos outros. E no fundo, em vez de ser orgulho para alguém, sou preocupação. Não posso aceitar ser uma preocupação para ninguém. O meu corpo não é feito desse tipo de fibra.

Lembro-me da Filipa 18 anos mais nova, que andava sempre arranjada, cheia de presença, e olho para a Filipa de 30 e questiono-me:Onde é que eu me perdi assim?

Alguma coisa vibrou em mim e deu-me a vontade de querer recuperar a Filipa que eu já fui. De a devolver a mim mesma.

2026 vai ser um ano de expansão, de libertação, de empoderamento, de cuidado e de fazer tudo o que ando a adiar há tanto tempo. Vou trazer-vos comigo.

Afinal, há momentos na vida para tudo. Eu parei. Trabalhei a minha dor — um trabalho que vai ter que continuar a acontecer. Aceitei que o meu corpo e a minha cabeça não podiam dar mais do que deram. Tentei, por toda a pressão externa, mudar as coisas, mas acabei por entender: as coisas não acontecem quando queremos. Há um processo que tem que ser acolhido. Há dores que têm que ser acarinhadas por um abraço nosso a nós mesmos.

A Filipa de dezembro de 2026 vai ser, declaradamente, diferente da Filipa de dezembro de 2025.


Nem tudo o que perdi me levou embora — algumas perdas ensinaram-me, finalmente, a voltar para mim.

 
 
 

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